sábado, maio 27, 2006

E às tantas, ao olharmos para fora, vemos coisas cá dentro a retorcer-se, a aspirar o sopro tão esperado de rememoração com que esboça um sorriso-emoção, repegam-se as pequenas pás-desejos com que se procura revolver a eternidade numa imagética de vigas-passagens dos edifícios sinfónicos, que são as várias recordações metafísicas em aliança afinada e peculiarmente aliança.

As palavras são disso o melhor exemplo: escrevem a garra que procura não deixar o andamento-eu expirar em sequência, o mestre-de-obras que grita intransigente na presença do fim do turno, enquanto os trabalhadores viram costas intangíveis.

E é isto. O caminho retrilhou-se sob um pé de obsessão mais firme. Em tudo, a mesma intemporalidade, a mesma propensão à chama, e, tendo a vida por desilusão impotente, a mesma susceptibilidade maciça nos reflexos de privação.

domingo, maio 07, 2006

As coisas são tantas vezes tensas e implacáveis. Sofro em tudo a austeridade. Os míudos em redor brincam às atitudes rápidas, certeiras e completamente ocas. Como lobos, exploram a ausência de moderação, renegam a compreensão do que lhes é diferente, e em tudo o que lhes não é estímulo à visão social pré-fabricada das interacções em voz alta e precipitada, o seu edíficio emancipado, vêem a ovelha a dilacerar num surto rápido, deixando para trás o trilho sem espaço para remorsos. No banco da frente, o ar carregado transpira migalhas de memórias contraproducentes, uma conjugação de esforços antigos levianamente inutilizados. O vazio absorve essa mesma atmosfera e nutre-se bloqueio policial, colete de forças, ou qualquer outra imagem igualmente expressiva para o internamento da liberdade.

Após o passeio de autocarro, extenua-se o ar condicionado, sacode-se aos poucos a electricidade estática dos membros entorpecidos, e disseca-se a dôr para que o vento a dissipe nas entranhas, ao passo progressivamente cântico, prenúncio de sanidade enquanto simples.

Um quadro móvel de sentimentos e imobilidades que existem, e que por isso devem figurar.